quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Campanha da Fraternidade 2016: Entrevista com frei Flávio Nolêto

Nesta semana, em que se aproxima a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, que tem como tema “Casa comum, nossa responsabilidade”, o SITE-OFM conversou com frei Flávio Noleto.

     Frei Flávio Nolêto, religioso irmão, fez seu noviciado na Ordem dos Frades Menores, Província do Santíssimo Nome de Jesus, em 1.990, professando os votos solenes em 1.996. Doutor em educação, cursou filosofia e teologia, é professor na Faculdade Católica de Anápolis. No último Capítulo Provincial (4 a 8 de janeiro de 2016), foi eleito Definidor e continuará coordenador geral da Rede Educacional Franciscana. Acompanhe nossa entrevista:

SITE-OFM: “Casa comum, nossa responsabilidade”: o que esta frase quer dizer para nós?

Frei Flávio: Deus nos criou para o convívio fraterno, vivência no paraíso terrestre que ele nos deixou para zelar, cuidar e amar a mãe erra e tudo que nos rodeia. Precisamos viver nesta casa comum que é o planeta Terra, que muito nos oferece de belezas naturais, alimentos, ar que respiramos, fogo que nos aquece, luz que nos alumina e a escuridão que nos favorece o descanso para no outro dia recomeçarmos sob a luz de nosso Deus. É importante nos sentirmos responsáveis por tudo que nos cerca, pois fomos criados a imagem e semelhança de Deus para dar continuidade à obra da criação.

SITE-OFM: Quais contribuições a Igreja, a Escola, a Rádio podem dar para a construção da cidadania em relação ao meio ambiente?

Frei Flávio: Nossa contribuição se torna grande quando cada um faz seu serviço com dedicação, amor e fé. A Igreja é nossa mãe e nos orienta como seguir Jesus Cristo e praticar os mandamentos que Deus nos deixou. Construir o Reino de Deus implica muitas ações em favor do cidadão, respeito pelas diferenças e anúncio da paz. Nossas escolas franciscanas têm como missão a vivência da cidadania, práticas dos valores humanos e lugar de fé, pois acreditamos que não basta formar as pessoas com conteúdos científicos, é necessário ensinar e aprender questões práticas da vida, do convívio, da solidariedade e relação com o meio ambiente. Os meios de comunicação são o lugar e o espaço privilegiado para divulgar e propagar a mensagem cristã de que Jesus Cristo sempre desejou um convívio humanizado e de amor aos mais pobres e sofredores. O tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica é essencial para que nossas rádios favoreçam o debate e o diálogo entre as diversas denominações de fé para, juntos, promovermos uma cidadania com o povo. E isso a Fundação Frei João Batista Vogel faz com o Projeto Cidadania na Praça, ao atender diversas pessoas com as parcerias nas áreas da saúde, educação, direito, música, lazer, assistência social etc. Somos sementes do reino que evangeliza ao modo de São Francisco de Assis, unindo Igreja, Escola e rádios, pois o povo tem sede de Deus e nos sentimos obrigados a continuar a mensagem de Francisco de Assis, que diz: “O Amor não é amado e a felicidade assim não se pode chegar. É preciso voltar a Jesus, o amor que eu quero amar.”. Ou seja, o amor de Deus está nos irmãos que precisamos abraçar no caminho da vida. Deus nos mostra os leprosos da sociedade, pois nossa casa comum está enferma e sofredora, requer que nossas mãos sejam estendidas para acolher e abraçar os atuais leprosos da sociedade.

SITE-OFM: Como o jovem pode se comprometer na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, frente a tantos problemas de ordem econômica, social, de justiça, educação para todos, como estamos passando no momento?

Frei Flávio: Os jovens precisam se sentir chamados para transformar este mundo. Precisam ter abertura para fazer a paz e o bem, pois ficar com os braços cruzados é sinal de omissão. Jesus chama cada um pelo nome para ser profeta de um novo Reino, onde cada pessoa se sinta comprometida com um mundo de justiça, fazendo o bem sem olhar a quem. Reconhecer que somos pobres, fracos e sofredores e unir as mãos para trabalhar no bem, implica sensibilidade para ver a dor do próximo, coragem para servir e conversão, fruto da oração e escuta atenta a Deus que fala nas dores econômicas que o povo sofre, nas injustiças que nos cerca e no interesse social pelos pobres, doentes e oprimidos.

SITE-OFM: A CF-2016 é ecumênica. Que sugestões de atividades podem os grupos de jovens de diferentes Igrejas cristãs trabalharem a partir da CF-2016?

Frei Flávio: A primeira sugestão é o diálogo. Depois, o encontro com os sofredores, o interesse pelos pobres e a busca da paz.  Tudo isso se faz de forma organizada, orante e com ações concretas na ajuda aos pobres, aos sofredores e aos fracos.  Quem deseja fazer isso, encontrará os subsídios no Manual da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016.

Frei Ronildo, ofm (pelo SITE-OFM)

Fonte: OFM Goiás 

Tunísia: o coração da Igreja no ritmo do povo



Padre Lhernould: “a liberdade que conquistamos é real”

 “A Igreja é para o povo, seus corações devem bater num mesmo ritmo”: quem diz é o vigário geral da arquidiocese da Tunísia, padre Nicolas Lhernould. Lembrando do Natal recentemente comemorado, “as igrejas estavam repletas” – a despeito de um atentado ocorrido no centro da capital, algumas semanas antes. Muitos amigos tunisianos vieram por curiosidade, para ver como festejamos o Natal”. Algo talvez surpreendente, considerando o que se passava na Líbia ou na Argélia, há apenas algumas dezenas de quilômetros. Na Tunísia, diz o padre Lhernould, “a situação dos cristãos é boa; não há tensões interreligiosas. As preocupações dizem respeito a todo o povo: segurança, a economia”. Mesmo assim, quando se inflamam novos protestos, motivados pela pobreza que assola principalmente as regiões interiores do país, é preciso estar atento para não se deixar seduzir pelos discursos sectários.

 A Igreja tunisiana está “à escuta de Deus e do país”, para entender como atuar nas periferias. Muita coisa mudou desde os anos 70, quando os religiosos eram convidados para os projetos de desenvolvimento educacionais e sanitários; hoje o cenário mudou e as demandas são outras. Mas o “pequeno rebanho” de católicos da Tunísia não está de modo algum acomodado. É uma igreja de imigrantes quase em sua totalidade, originados de cerca de 80 países; mas de forma alguma uma igreja de “estrangeiros”. “Consideramo-nos uma igreja de cidadãos” – enfatiza padre Lhernould -.

“Ser um cidadão não significa ter passaporte tunisiano, mas sim ser visto pelos demais tunisianos como verdadeiro membro desta sociedade”.

 Nos tantos casamentos mistos, as mulheres católicas “vivem na linha de frente os reais desafios ao diálogo e à educação dos filhos”. As dez escolas católicas do país “não são escolas para a comunidade cristã. São administradas por religiosos, mas seguem currículos definidos pelo Estado e têm uma maioria de alunos muçulmanos”. Há obras de caridade desenvolvidas em cooperação com associações muçulmanas, como o projeto de assistência a portadores de deficiências ou o de suporte a mães e gestantes adolescentes. “Estas ações conjuntas são preciosas, viabilizam grandes progressos”.

 Um provérbio tunisiano diz: “não escolha sua casa, escolha antes seus vizinhos”. “A convivência verdadeira entre as pessoas produz respeito e confiança. Esse é nosso verdadeiro tesouro. Mostramos com nossas vidas que, contrariamente aos discursos sectários, podemos trabalhar juntos pelo humano”, diz o padre Lhernould.

 Mesmo os atentados do ano passado não foram capazes de abalar essa confiança. “Muitos muçulmanos nos procuraram nas igrejas para pedir perdão. Se essa atitude parece estranha ao ocidente, na Tunísia não o é; a hospitalidade é algo sagrado para o tunisiano – quando se hospeda alguém, assume-se perante Deus a responsabilidade pelo bem-estar daquele hóspede”. Por essa razão é importante “não morder a isca do terrorismo”, completa. Os desafios políticos são internos às facções islâmicas, e não podem ser confundidos com uma oposição entre religiões ou entre ocidente e oriente. “Tanto isso é verdade que se torna cada vez mais comum que líderes muçulmanos nos convidem, Igreja, para participar dos debates e reflexões acerca destes desafios que eles enfrentam hoje – para que testemunhemos como nossa história e nossa vivência como lidamos com os mesmos desafios”.

 A nova Constituição do país – que entrou em vigor em 27 de janeiro de 2014 – busca exprimir esse equilíbrio: ao mesmo tempo que estabelece o Islã como religião oficial do Estado, protege a “liberdade de crença, de consciência e de culto”, e assegura a igualdade de homens e mulheres perante a lei. Mas, ressalta padre Lhernould, “se o direito foi capaz de promover essa revolução, no âmbito da cultura as mudanças ainda levarão tempo. Serão necessárias talvez algumas gerações para que estas conquistas se sedimentem na cultura.

“O Domingo da Misericórdia é uma ocasião especial para uma sociedade na qual invoca-se diariamente “O Clemente e Misericordioso” mais de trinta vezes em oração. É um tema que serve para nos aproximar (cristãos e muçulmanos), ainda que os conceitos de misericórdia sejam um tanto diferentes no cristianismo e no Islã. O conceito de misericórdia cristão está associado à ternura. Após os atentados recentemente ocorridos, uma das feridas deixadas nos corações de nossos irmãos muçulmanos talvez provenha de sentirem-se tratados com desconfiança. Como cristãos, é preciso que façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para reverter esse sentimento de humilhação”.

Fonte: Aleteia

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Papa Francisco: como não culpar Deus diante da morte de um ente querido


O Papa Francisco explicou hoje, em sua catequese aos peregrinos, como viver o luto quando se enfrenta o falecimento de alguém muito querido.

A morte faz parte da vida, disse o Papa, mas quando se dá na família, é muito difícil vê-la como algo natural. Para os pais, perder o próprio filho é algo “desolador”, que contradiz a natureza elementar das relações que dão sentido à própria família. Francisco falou de sua experiência com os fiéis que participam da missa na Casa Santa Marta quando alguns pais, ao falarem da morte do próprio filho, têm “o olhar entristecido”.

“A morte toca e quando é um filho, toca profundamente”, disse. A perda de um filho é como parar o tempo, onde passado e futuro não se distinguem mais. Toda a família fica paralisada. O mesmo acontece para o menor que fica órfão e, com sofrimento, se pergunta quando voltará seu pai ou sua mãe.

“Nesses casos, a morte é como um buraco negro que se abre na vida das famílias e à qual não podemos dar qualquer explicação.” E, às vezes, acaba-se por culpar ou negar Deus. “Eu os entendo”, disse Francisco, porque se trata de uma grande dor.  

Todavia, prosseguiu o Papa, a morte física tem “cúmplices”, que são até piores do que ela, como o ódio, a inveja, a soberba e a avareza. O pecado faz com que esta realidade seja ainda mais dolorosa e injusta.

“Pensemos na absurda ‘normalidade’ com a qual, em certos momentos e lugares, os eventos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos liberte de nos acostumarmo-nos a isso!”

Jesus nos ensina a não temer a morte, mas também a vivenciá-la de forma humana. Ele mesmo chorou e ficou turbado ao compartilhar o luto de uma família querida. A esperança nasce das palavras de Cristo à viúva que perdeu seu filho: “Jesus o restituiu à sua mãe”. “Esta é a nossa esperança, que o Senhor nos restituirá todos os nossos caros”, disse o Papa.

Se nos deixarmos amparar por esta fé, a experiência do luto pode gerar uma solidariedade mais forte dos elos familiares, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Esta fé nos protege seja do niilismo, seja das falsas consolações supersticiosas e nos confirma que a morte não tem a última palavra.

Por isso, é necessário que os pastores e todos os cristãos expressem de maneira mais concreta o sentido da fé junto às famílias em luto. E nos inspirar naquelas famílias que encontraram forças para perseverar na fé e no amor, testemunhando que o trabalho de amor de Deus é mais forte que a morte. “E lembremo-nos daquele gesto de Jesus, quando nos reencontraremos com os nossos caros e a morte será definitivamente derrotada.”


Fonte: Rádio Vaticano

“Laudato Si”: Lançada encíclica do Papa Francisco sobre a criação


VATICANO, 18 Jun. 15 / 07:06 am (ACI).- Foi oficialmente lançada nesta quinta-feira, 18, a nova encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum”. O título, que significa “Louvado Seja”, remete ao ‘Cântico das Criaturas’ de São Francisco de Assis, religioso que inspirou o Pontífice na escolha do seu nome.

A apresentação do texto foi feita durante coletiva na sala de Imprensa da Santa Sé, da qual participaram o Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, o Metropolita de Pérgamo, John Zizioulas, representando o Patriarcado Ecumênico e da Igreja Ortodoxa; e o fundador e diretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research, professor John Schellnhuber.

A encíclica, como disse o Papa Francisco no Angelus de domingo, 14, é direcionada a todos e aborda questões relacionadas ao cuidado com a criação.

O documento é dividido em seis capítulos e possui 192 páginas. Está disponível em italiano, francês, inglês, alemão, polonês, árabe, espanhol e português.

Para baixar a encíclica “Laudato Si” em português, acesse:

Fonte: acidigital.com

terça-feira, 14 de abril de 2015

Menino com câncer realiza um desejo incomum: ser sacerdote por um dia


Brett Haubrich, é um menino de 11 anos e padece de um tumor cerebral inoperável de terceiro grau. Quando a organização Make-A-Wish, famosa por conceder pedidos a crianças com doenças terminais nos EUA, lhe ofereceu um desejo, Brett não pediu visitar um parque de diversões ou conhecer um artista famosos, o menino fez um pedido inédito: Ser sacerdote ao menos por um dia.

A fundação Make-A-Wish (“Faça um pedido”), conhecida por brindar alegria aos menores de 3 a 17 anos, com graves enfermidades tem um longo histórico de fazer o possível e o impossível para atender os desejos dos pequenos, mas, o pedido de Brett os deixou perplexos.

Quando perguntaram a Brett, o segundo de quatro irmãos, qual era seu desejo, inicialmente não tinha nenhum. Mas quando ao perguntar o que ele queria ser quando crescesse, antes que ser médico ou engenheiro, na lista de Brett estava ser sacerdote.

A mãe do garoto, Eileen, entrevistada pelo St. Louis Review, o jornal da Arquidiocese de St. Louis, recordou que seu filho “não queria nada. Tiveram que seguir perguntando ‘onde você gostaria de ir? quer conhecer alguém? o que quer ser quando crescer?”.

Nesse momento o menino respondeu sem duvidar “o que realmente quero é ser sacerdote”.

A ideia inicial foi que Brett pudesse ajudar na Missa de um sábado pela manhã e para isso contataram o Pe. Nick Smith, mestre de cerimônias da Catedral de St. Louis. Para a alegria da mãe sua resposta foi: “Podemos fazer algo melhor que isso”.

“Por que não fazemos que venha na Quinta-feira Santa? Ele pode ajudar na Missa Crismal”, disse o Pe. Smith. A missa crismal é a ocasião em que os bispos consagram os óleos que serão utilizados nos sacramentos administrados nas suas dioceses e marca de maneira peculiar a reflexão sobre o sacerdócio, pois, em muitos lugares é ocasião para que os padres renovem suas promessas sacerdotais.

Junto ao Pe. Smith, durante a ligação da família de Brett, encontrava-se o Arcebispo de St. Louis, Dom Robert J. Carlson.

“Tudo aconteceu enquanto ele estava do meu lado”, disse o sacerdote, que assegurou que o Arcebispo estava “muito emocionado”. “Ele estava lançando ideias a torto e à esquerda: ‘façamos isto, façamos o outro’”, mencionou o Pe. Nick.


Brett participou tanto na Missa Crismal como na Missa da Ceia do Senhor, ajudando como coroinha. Além disso, Dom Carlson lavou-lhe os pés junto de outros 11 seminaristas.

O menino almoçou junto com o Arcebispo depois da Missa Crismal e jantou com os seminaristas na residência episcopal antes da Missa do Ceia do Senhor.
Foi o Arcebispo que teve as ideias do jantar junto aos seminaristas e do lavatório de pés.

O Pe. Smith preparou um programa para esse dia e o entregou pessoalmente a Brett, junto com uma carta assinada por Dom Carlson.

Apesar de seu temor de equivocar-se em alguma parte da Missa, o Arcebispo assegurou que Brett “se saiu muito bem”. Para o menino “foi uma experiência realmente genial”.

A mãe de Brett disse não estar surpreendida pelo desejo do menino de ser sacerdote, pois “durante anos ele amou a Missa e foi muito piedoso” . “Ele tem um coração tão bom. É um menino muito carinhoso”, disse sua mãe.

Por sua parte, Brett assinalou: “eu gosto de receber o Corpo e o Sangue” de Cristo.

A equipe de terapia St. Anthony que ajuda à família do Brett criou uma conta no site GoFundMe para compilar recursos para seu tratamento.

Na petição se recordou que embora “a cirurgia não é uma opção neste momento, estamos rezando para que a quimioterapia e a radiação reduzam o tumor”.



Papa Francisco: a paciência em suportar

                                                                                           Tony Gentile/Pool/Afp

Na missa matutina desta terça-feira (14/04), celebrada na Casa Santa Marta, Francisco advertiu que os cristãos não devem acumular riquezas, mas colocá-las a serviço de quem necessita.

O Papa centralizou sua homilia num trecho dos Atos dos Apóstolos que descreve a vida da primeira comunidade dos cristãos. O Pontífice destaca que existem dois sinais de “renascimento numa comunidade”. O primeiro deles é a harmonia:
“A comunidade renascida ou daqueles que renascem no Espírito tem esta graça da unidade, da harmonia. O único que pode nos dar a harmonia é o Espírito Santo, porque ele também é harmonia entre o Pai e o Filho, é o dom que faz a harmonia. O segundo sinal é o bem comum, isto é: ‘Não havia entre eles necessitado algum, ninguém considerava seu o que possuía’, estava a serviço da comunidade. Sim, alguns eram ricos, mas a serviço. Estes são os dois sinais de uma comunidade que vive no Espírito”.

O dom da paciência nas dificuldades

Trata-se de um trecho curioso, notou o Papa, porque “logo depois começam os problemas dentro da comunidade, como por exemplo, o ingresso de Ananias e Safira, que tentam “trapaceá-la”:

“Estes são os patrões dos benfeitores que se aproximam da Igreja, entram para ajudá-la e usá-la para os próprios negócios, não? Depois há as perseguições que foram anunciadas por Jesus. A última das bem-aventuranças de Mateus: ‘Bem-aventurados quando vos injuriarem e vos perseguirem por minha causa. Alegrai-vos. E se leem tantas perseguições desta comunidade. Jesus promete isto, promete muitas coisas belas, a paz e a abundância: ‘Tereis cem vez mais com as perseguições’”.

Na “primeira comunidade renascida do Espírito Santo – recorda o Papa – existe isso: a pobreza, o bem comum mas também os problemas, dentro e fora”. Problemas dentro, como “aquele casal de negociantes e, fora, as perseguições”. Pedro, contudo, diz à comunidade para que não se maravilhe diante das perseguições, porque é “o fogo que purifica o outro”. E a comunidade renascida do Espírito Santo é purificada justamente “em meio às dificuldades, às perseguições”. Existe, portanto, um terceiro sinal de uma comunidade renascida: “a paciência em suportar: suportar os problemas, suportar as dificuldades, suportar as injúrias, as calúnias, suportar as doenças, suportar a dor” da perda de um ente querido.

Não acumular riquezas mas administrá-las para o bem comum

A comunidade cristã, afirma ainda, “demonstra que renasceu no Espírito Santo quando é uma comunidade que procura a harmonia, não a divisão interna; “quando procura a pobreza”, “não o acúmulo de riqueza para si, porque as riquezas são para o serviço”. E quando “não se enraivece imediatamente diante das dificuldades ou se sente ofendida”, mas é paciente como o Cristo:

"Nesta segunda semana de Páscoa, durante a qual celebramos os mistérios pascais, nos fará bem pensar em nossas comunidades, sejam estas diocesanas, paroquiais, familiares ou tantas outras, e pedir a graça da harmonia que é mais do que simplesmente unidade – é a unidade harmônica, a harmonia, que é o dom do Espírito – de pedir a graça da pobreza – não aquela da miséria, da pobreza: o que significa? Que se eu tenho aquilo que tenho e deve administra-lo bem para o bem comum e com generosidade – e pedir a graça da paciência, da paciência”.

O Senhor, conclui Francisco, “nos faça entender que não somente cada um de nós recebeu no Batismo esta graça de renascer no Espírito mas também as nossas comunidades”.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PROJETO SOCIAL PAZ E BEM: Semeando Dignidade


                                  
            Por uma iniciativa tomada por Frei Ednilson Vaz, ofm; pároco da Paróquia São Francisco de Assis, de 2007 a 2010, foi criado o Projeto Social Paz e Bem. Uma das prioridades de sua gestão era organizar um projeto sistematizado voltado para o trabalho social. Assim, em meados do ano de 2009 ele teve a iniciativa de convidar algumas pessoas para formar uma comissão de ação social (CEAS) para planejar e discutir qual público a paróquia iria atender.
A fundação do projeto, portanto, vem ao encontro dos anseios dos paroquianos e das pessoas do Setor Universitário e do Jardim Goiás. Para tanto bastou otimizar o uso da área da Capela N. S. de Guadalupe, que está localizada na Rua 2, com a Rua 41, Qd A-19 com a Qd A-20, em frente ao Auditório da Celg. A Capela conta com uma localização estratégica, ficando entre as comunidades “Santa Luzia” e “Nossa Senhora Aparecida”, ambas carentes e necessitadas de um atendimento social. Nesse sentido o projeto vem desenvolvendo ações de compromisso com a vida, contemplando a opinião dos paroquianos interessados num engajamento de ações sociais organizadas.
O projeto, no entanto, foi pensado tendo como finalidade desenvolver junto às crianças e adolescentes conceitos e valores humanos e cristãos necessários ao desenvolvimento integral da pessoa, afastando-os do risco da marginalidade e propiciando a vivência da cidadania através de atividades sócio-educativas e profissionais, tendo sido planejado para atender crianças e adolescentes na faixa etária de 09 a 16 anos de idade provenientes de famílias de baixo poder aquisitivo, moradores do Setor Jardim Goiás e Setor Universitário.
Após dois anos de reuniões, planejamentos e discussões a comissão de ação social, juntamente com o pároco, Frei Ednilson Vaz, ofm, contratou uma coordenadora pedagógica, dando início assim às primeiras atividades em 08 de junho de 2009. O primeiro mês de trabalho foi um período de adaptações e de experiências, sendo as atividades oferecidas duas vezes por semana nos períodos matutinos e vespertinos.
Já a partir do segundo semestre de 2009 as atividades passaram a ser realizadas durante  quatro dias da semana, de segunda a quinta-feira, nos períodos matutinos e vespertinos, das 07: 30h às 11:00h e das 13:30h às 17:45h. Já a partir do primeiro semestre de 2010 passamos a atender cinco dias por semana, nos períodos matutino e vespertino, de segunda à sexta-feira, no mesmo horário referido anteriormente. Nos dois turnos é atendida uma média de 30 a 40 crianças e adolescentes por dia, em que são oferecidas as seguintes oficinas: espiritualidade, artesanato, esporte e lazer, artes, fuxico, leitura e produção de textos, inglês, papo cabeça (acompanhamento com terapeuta e psicóloga), reforço escolar, informática e dança. Todas as atividades são trabalhadas por educadores voluntários.
Até o atual momento o Projeto Paz e Bem tem conseguido cumprir com os objetivos de trabalhos propostos. Também já estamos aguardando a aprovação do registro junto ao CMAS (Conselho Municipal de Assistência Social). Depois o próximo passo será buscar uma instituição mantenedora para custear os salários dos educadores, sendo uma das potenciais mantenedora a Província do Santíssimo Nome de Jesus. Por enquanto, todas as despesas e custos são arcadas pela Paróquia São Francisco de Assis, contando ainda com a doação de materiais e alimentos provenientes da solidariedade dos paroquianos.
Nestes três anos de existência o “Paz e Bem”, diversificou seu leque de atividades. Hoje são oferecidas oficinas de esporte e lazer, reforço escolar, inglês, pilates, informática e dança. O público atendido pelo projeto foi ampliado. Antes eram atendidas apenas as crianças e jovens dos 09 aos 16 anos de idade. Hoje, adultos e idosos também integram o grupo de educandos. Eles estão em sua maioria nas oficinas de informática e dança.
Também a capacidade de atendimento do “Paz e Bem” foi ampliada com abertura neste ano de um núcleo de informática básica na Comunidade Nossa Senhora Aparecida. No local são atendidas apenas crianças e adolescentes da região onde está a comunidade.

As parcerias são fator importante para o que o “Paz e Bem” possa cumprir com seu objetivo. Prova disso é o Programa “Mesa Brasil” do SESC Goiás que periodicamente faz doação de alimentos para a instituição. Outro importante parceiro são as Organizações das Voluntárias do Judiciário (OVJ) que recentemente doou cobertores, que foram distribuídos para as famílias das crianças e jovens assistidos pelo Projeto.